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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Fernão Mendes Pinto - Wenceslau de Moraes


A editora Livros de Bordo reeditou recentemente Fernão Mendes Pinto de Wenceslau de Moraes um escritor muito esquecido e que viveu e escreveu sobre o Japão.
Era importante a reedição de toda a sua obra.

«Referindo-me agora particularmente a Mendes Pinto, assalta-me o desejo irresistível de abraçá-lo... em espírito, como a um irmão, um irmão mais velho na boémia da vida e nos baldões da sorte, e de bradar-lhe, consolando-o: - Não, meu querido Fernão. Sossega. Tu não foste um mau homem, quero dizer, tu não foste, no caso menos favorável para a salvação da tua alminha, pior do que os outros homens. O que tu foste, para a tua época, foste um notabilíssimo escritor e um maravilhoso impressionista, além de um traficante de pouca habilidade e de um aventureiro incorrigível. A sem-cerimónia, com que contas tanta soma de torpezas e os próprios pecadilhos, mais vem talvez abrilhantar as tuas raras qualidades de narrador, que diz tudo que vê, tudo que sabe, tudo que pensa.»

Wenceslau de Moraes

Itenerario da 1ª viagem de Fernão Mendes Pinto no Japão. 


domingo, 18 de junho de 2017

Les Oiseaux de nos Régions

Les Oiseaux de nos Régions livro editado por René Malherbe com texto de Goelz Rheinwald e Williiam D. Campbell com ilustração de Basil Ede.

Este magnifico livro que é uma obra de arte foi-me oferecido por um grande amigo francês, infelizmente já desaparecido, Claude Rousières, um grande amante da natureza, não tivesse sido ele um discípulo de Lord Baden-Powell.
Este livro convida-nos a descobrir o mundo fascinante e misteriosa das aves nas regiões francesas, Basil Ede mostra mais de cinquenta espécies de aves facilmente identificáveis. As ilustrações de Basil Ede são complementadas com instruções breves e precisas sobre o seu habitat, estilo de vida e várias características destas aves. O autor também enfatiza a importância ecológica das aves que encontramos tantas vezes e às vezes sabemos tão pouco sobre elas.
 O meu amigo teve a amabilidade de me oferecer o livro com um poema da sua autoria.


Symphonie pour becs et plumes

Quoi de plus beau
Qu'un chant dóisau?
Merle ou pinson
C'est sa chanson
Quíl lance au ciel
Vers l'Éternel.

De ci, de là,
Toujours il va,
Bec en avant
Et plume au vent,
Láir goguenard
Et bien gaillard.

Mousse ou chardon
Tout lui est bon
Pour se bâtir,
-Ah! quel plaisir-
Un nid douillet
Plein de duvet.

Temps des amours,
Temps des beaux jours
Où tout renait
Sous les genêts,
Dans les rocailles
Et les murailles;
Cris de bonheur
Et cris du coeur.

Oiseaux du monde,
Joyeuse ronde,
Vivez, chantez,
Peuple enchanté...

Dieu, que c'est beau
Un chant d'oiseau!

Calude Rousières
Abril de 1988
Algumas das muitas e belas ilustrações do livro.
Passaro das Torres e Corvo Negro
Gralha
Pega
Gaio
Estorninho
Verdilhão e Pintarroxo
Pintassilgos
Dom-fafe
Grimpereau do bosque 
Tit cauda longa
Melros
Andorinhão e Andorinha
Pica-Pau
Coruja
Pombo Torcaz, Pomba e Rola
Abibe-Comum

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Nem todas as baleias voam - Afonso Cruz


SINOPSE
Em plena Guerra Fria, a CIA engendrou um plano, baptizado Jazz Ambassadors, para cativar a juventude de Leste para a causa americana. É neste pano de fundo que conhecemos Erik Gould, pianista exímio, apaixonado, capaz de visualizar sons e de pintar retratos nas teclas do piano. A música está-lhe tão entranhada no corpo como o amor pela única mulher da sua vida, que desapareceu de um dia para o outro. Será o filho de ambos, Tristan, cansado de procurar a mãe entre as páginas de um atlas, que encontrará dentro de uma caixa de sapatos um caminho para recuperar a alegria. 
“- Gostava daquele bar, do Delon, e gostava da sua flor, porque as tulipas raiadas são flores doentes. A sua beleza vem de uma doença. A normalidade nunca fez bem a ninguém, mas a anomalia, aquelas estranhas cores que pintavam as pétalas, como se Van Gogh fosse o autor do Universo, elevavam a flor a um estatuto artístico, era a doença que a fazia mais bela do que o habitual. A arte é uma doença, a humanidade nasceu de um macaco doente, como uma tulipa raiada. Foi um desvio que o levou a erguer-se na savana e a sentar-se mais tarde num bar de Montmartre. Abençoadas doenças, Tristan.
- E não matam?
- Matam, são a coisa mais triste do mundo.” (pág. 254) 

domingo, 21 de maio de 2017

Para onde vão os guarda-chuvas de Afonso Cruz

SINOPSE
O pano de fundo deste romance é um Oriente efabulado, baseado no que pensamos que foi o seu passado e acreditamos ser o seu presente, com tudo o que esse Oriente tem de mágico, de diferente e de perverso. Conta a história de um homem que ambiciona ser invisível, de uma criança que gostaria de voar como um avião, de uma mulher que quer casar com um homem de olhos azuis, de um poeta profundamente mudo, de um general russo que é uma espécie de galo de luta, de uma mulher cujos cabelos fogem de uma gaiola, de um indiano apaixonado e de um rapaz que tem o universo inteiro dentro da boca.
Um magnífico romance que abre com uma história ilustrada para crianças que já não acreditam no Pai Natal e se desdobra numa sublime tapeçaria de vidas, tecida com os fios e as cores das coisas que encontramos, perdemos e esperamos reencontrar.
EXCERTOS
– A minha mãe, Sr. Elahi, interrogava-se para onde vão os guarda-chuvas. Sempre que ela saía à rua, perdia um. E durante toda a sua vida nunca encontrou nenhum. Para onde iriam os guarda-chuvas? Eu ouvia-a interrogar-se tantas vezes, que aquele mistério, tão insondável, teria de ser explicado. Quando era jovem pensei que haveria um país, talvez um monte sagrado, para onde iam os guarda-chuvas todos. E os pares perdidos de meias e de luvas. E a nossa infância e os nossos antepassados. E também os brinquedos de lata com que brincávamos. E os nossos amigos que desapareceram debaixo das bombas. Haveriam de estar todos num país distante, cheio de objectos perdidos. Então, nessa altura da minha vida, era ainda um adolescente, decidi ser padre. Precisava de saber para onde vão os guarda-chuvas.
– E já sabe? – perguntou Fazal Elahi.
– Não faço a mais pequena ideia, mas tenho fé de encontrar um dia a minha mãe, cheia de guarda-chuvas à sua volta.
Estas belas ilustrações do autor são uma outra história que abre o livro.











segunda-feira, 1 de maio de 2017

A Casa de Papel de Carlos María Domínguez




“(…) vivia sozinho na casa da rua Cuareim e devorava quantos livros lhe chegavam às mãos juntamente com inumeráveis pacotes de pastilhas e caramelos que se espalhavam pelo chão dos quartos. O hábito dos caramelos substituía o dos cigarros, que os médicos lhe tinham proibido, e era tão viciante quanto a sua paixão pelos livros, reunidos em compridas estantes que ocupavam os quartos, do chão ao tecto, de ponta a ponta; empilhavam-se na cozinha, na casa de banho, e também no quarto de dormir. Não o original, porque daí fora desalojado, mas no sótão para onde tinha ido dormir, ao lado de uma pequena casa de banho. A parede da escada que até lá conduzia também estava carregada de livros, e a literatura francesa do século XIX velava, digamos, o seu escasso sono.” (Págs.32/33)


“A casa de banho tinha livros em todas as paredes menos na do duche, e se não se estragavam era porque deixara de tomar banho com água quente para evitar o vapor. De Verão ou de Inverno, os duches dele eram de água fria.” (Pág.33)


Sinopse:

“Os livros mudam o destino das pessoas: Hemingway incutiu em muitos o seu famoso espírito aventureiro; os intrépidos mosqueteiros de Dumas abalaram as vidas emocionais de um sem-número de leitores; Demian, de Hermann Hesse, apresentou o hinduísmo a milhares de jovens; muitos outros foram arrancados às malhas do suicídio por um vulgar livro de cozinha. Bluma Lennon foi uma das vítimas da Literatura. 
Na Primavera de 1998, Bluma, uma lindíssima professora de Cambridge, acaba de comprar um livro de poemas de Emily Dickinson quando é atropelada. Após a sua morte, um colega e ex-amante recebe um exemplar de A Linha da Sombra, de Joseph Conrad, em que Bluma escrevera uma misteriosa dedicatória. Intrigado, parte numa busca que o leva a Buenos Aires com o objectivo de procurar pistas sobre a identidade e o destino de um obscuro mas dedicado bibliófilo e a sua intrigante ligação com Bluma. 

A Casa de Papel é um romance excepcional sobre o amor desmesurado pelas bibliotecas e pela literatura. Uma envolvente intriga policial e metafísica que envolve o leitor numa viagem de descoberta e deslumbramento perante os estranhos vínculos entre a realidade e a ficção.”

Um livro apaixonante que li e reli e aconselho vivamente.


Carlos María Domínguez (1955) é argentino, mas reside desde 1989 em Montevideu. Romancista, crítico literário e jornalista, publicou anteriormente dois romances, três biografias e vários livros de investigação jornalística, um dos quais lhe valeu o Prémio Nacional do Ministério de Educação e Cultura do Uruguai. A Casa de Papel obteve o prémio "Lolita Rubial" e está traduzido para inglês, francês, italiano, alemão e holandês.

sábado, 22 de abril de 2017

Bibliotecas cheias de fantasmas - Jaques Bonnet

Sinopse: 


Tem medo de morrer durante o sono esmagado pela sua biblioteca? A acumulação de livros coloca a existência da sua família em risco? Arruma os livros por tema, língua, autor, data de edição, ou formato, ou segundo um critério que só você conhece? Poderemos pôr lado a lado na estante dois autores irremediavelmente desavindos? São muitas as questões que envolvem esta espécie em vias de extinção: os bibliófilos que, além da paixão pela posse de livros, têm a obsessão pela leitura. As bibliotecas são seres vivos à imagem da nossa complexidade interior, e compõem um labirinto do qual poderemos não conseguir sair. Na verdade, os milhares de páginas que ocupam as nossas estantes estão povoadas de fantasmas que, uma vez encontrados, nunca nos largarão. 

Um livro de amor aos livros.
Este livro aborda essencialmente o tema da bibliofilia e de todas as consequências que esta traz. Encontra-se dividido em capítulos que abordam temas como as bibliomanias, a arrumação de livros, práticas de leitura ou a forma como o leitor sabe mais sobre as pessoas que encontra nos livros do que sobre as pessoas que os escrevem.

Jaques Bonnet


Jacques Bonnet é um editor e tradutor francês, além de bibliófilo e uma autoridade quando se trata de livros raros. Bonnet é considerado, juntamente com Umberto Eco, José Mindlín ou Alberto Manguel, um dos maiores especialistas em bibliofilia e teoria da leitura.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Caixa de Música de Belanita Abreu e Ricardo Jorge

Saudade, perda, tristeza, alegria. “A descoberta de uma caixa de música leva-nos ao confronto com estados de alma que são comuns a todos os humanos”, conta Ricardo Jorge. Sentimentos distintos personificados por uma boneca bailarina. Por detrás de cada melodia que cresce e preenche o silêncio quando se abre uma caixa de madeira, o arquitecto e ilustrador conta agora a história de uma menina que descobre no sótão, dentro de um baú velho, o que parece ser um guarda-jóias antigo. “A minha ilustração conta uma estória paralela, que acrescentei à inicial, que é a da menina que descobre a caixa”, explica o artista responsável pelos desenhos do livro infantil “A Caixa de Música”, uma pequena história com texto original de Belanita Abreu.
 Exposição na Casa da Cultura em Setúbal até ao dia 30 de Abril das ilustrações originais de Ricardo Jorge, para o livro infantil "Caixa de Música".






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