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domingo, 21 de maio de 2017

Para onde vão os guarda-chuvas de Afonso Cruz

SINOPSE
O pano de fundo deste romance é um Oriente efabulado, baseado no que pensamos que foi o seu passado e acreditamos ser o seu presente, com tudo o que esse Oriente tem de mágico, de diferente e de perverso. Conta a história de um homem que ambiciona ser invisível, de uma criança que gostaria de voar como um avião, de uma mulher que quer casar com um homem de olhos azuis, de um poeta profundamente mudo, de um general russo que é uma espécie de galo de luta, de uma mulher cujos cabelos fogem de uma gaiola, de um indiano apaixonado e de um rapaz que tem o universo inteiro dentro da boca.
Um magnífico romance que abre com uma história ilustrada para crianças que já não acreditam no Pai Natal e se desdobra numa sublime tapeçaria de vidas, tecida com os fios e as cores das coisas que encontramos, perdemos e esperamos reencontrar.
EXCERTOS
– A minha mãe, Sr. Elahi, interrogava-se para onde vão os guarda-chuvas. Sempre que ela saía à rua, perdia um. E durante toda a sua vida nunca encontrou nenhum. Para onde iriam os guarda-chuvas? Eu ouvia-a interrogar-se tantas vezes, que aquele mistério, tão insondável, teria de ser explicado. Quando era jovem pensei que haveria um país, talvez um monte sagrado, para onde iam os guarda-chuvas todos. E os pares perdidos de meias e de luvas. E a nossa infância e os nossos antepassados. E também os brinquedos de lata com que brincávamos. E os nossos amigos que desapareceram debaixo das bombas. Haveriam de estar todos num país distante, cheio de objectos perdidos. Então, nessa altura da minha vida, era ainda um adolescente, decidi ser padre. Precisava de saber para onde vão os guarda-chuvas.
– E já sabe? – perguntou Fazal Elahi.
– Não faço a mais pequena ideia, mas tenho fé de encontrar um dia a minha mãe, cheia de guarda-chuvas à sua volta.
Estas belas ilustrações do autor são uma outra história que abre o livro.











segunda-feira, 1 de maio de 2017

A Casa de Papel de Carlos María Domínguez




“(…) vivia sozinho na casa da rua Cuareim e devorava quantos livros lhe chegavam às mãos juntamente com inumeráveis pacotes de pastilhas e caramelos que se espalhavam pelo chão dos quartos. O hábito dos caramelos substituía o dos cigarros, que os médicos lhe tinham proibido, e era tão viciante quanto a sua paixão pelos livros, reunidos em compridas estantes que ocupavam os quartos, do chão ao tecto, de ponta a ponta; empilhavam-se na cozinha, na casa de banho, e também no quarto de dormir. Não o original, porque daí fora desalojado, mas no sótão para onde tinha ido dormir, ao lado de uma pequena casa de banho. A parede da escada que até lá conduzia também estava carregada de livros, e a literatura francesa do século XIX velava, digamos, o seu escasso sono.” (Págs.32/33)


“A casa de banho tinha livros em todas as paredes menos na do duche, e se não se estragavam era porque deixara de tomar banho com água quente para evitar o vapor. De Verão ou de Inverno, os duches dele eram de água fria.” (Pág.33)


Sinopse:

“Os livros mudam o destino das pessoas: Hemingway incutiu em muitos o seu famoso espírito aventureiro; os intrépidos mosqueteiros de Dumas abalaram as vidas emocionais de um sem-número de leitores; Demian, de Hermann Hesse, apresentou o hinduísmo a milhares de jovens; muitos outros foram arrancados às malhas do suicídio por um vulgar livro de cozinha. Bluma Lennon foi uma das vítimas da Literatura. 
Na Primavera de 1998, Bluma, uma lindíssima professora de Cambridge, acaba de comprar um livro de poemas de Emily Dickinson quando é atropelada. Após a sua morte, um colega e ex-amante recebe um exemplar de A Linha da Sombra, de Joseph Conrad, em que Bluma escrevera uma misteriosa dedicatória. Intrigado, parte numa busca que o leva a Buenos Aires com o objectivo de procurar pistas sobre a identidade e o destino de um obscuro mas dedicado bibliófilo e a sua intrigante ligação com Bluma. 

A Casa de Papel é um romance excepcional sobre o amor desmesurado pelas bibliotecas e pela literatura. Uma envolvente intriga policial e metafísica que envolve o leitor numa viagem de descoberta e deslumbramento perante os estranhos vínculos entre a realidade e a ficção.”

Um livro apaixonante que li e reli e aconselho vivamente.


Carlos María Domínguez (1955) é argentino, mas reside desde 1989 em Montevideu. Romancista, crítico literário e jornalista, publicou anteriormente dois romances, três biografias e vários livros de investigação jornalística, um dos quais lhe valeu o Prémio Nacional do Ministério de Educação e Cultura do Uruguai. A Casa de Papel obteve o prémio "Lolita Rubial" e está traduzido para inglês, francês, italiano, alemão e holandês.

sábado, 22 de abril de 2017

Bibliotecas cheias de fantasmas - Jaques Bonnet

Sinopse: 

Tem medo de morrer durante o sono esmagado pela sua biblioteca? A acumulação de livros coloca a existência da sua família em risco? Arruma os livros por tema, língua, autor, data de edição, ou formato, ou segundo um critério que só você conhece? Poderemos pôr lado a lado na estante dois autores irremediavelmente desavindos? São muitas as questões que envolvem esta espécie em vias de extinção: os bibliófilos que, além da paixão pela posse de livros, têm a obsessão pela leitura. As bibliotecas são seres vivos à imagem da nossa complexidade interior, e compõem um labirinto do qual poderemos não conseguir sair. Na verdade, os milhares de páginas que ocupam as nossas estantes estão povoadas de fantasmas que, uma vez encontrados, nunca nos largarão. 

Um livro de amor aos livros.
Este livro aborda essencialmente o tema da bibliofilia e de todas as consequências que esta traz. Encontra-se dividido em capítulos que abordam temas como as bibliomanias, a arrumação de livros, práticas de leitura ou a forma como o leitor sabe mais sobre as pessoas que encontra nos livros do que sobre as pessoas que os escrevem.

Jaques Bonnet

Jacques Bonnet é um editor e tradutor francês, além de bibliófilo e uma autoridade quando se trata de livros raros. Bonnet é considerado, juntamente com Umberto Eco, José Mindlín ou Alberto Manguel, um dos maiores especialistas em bibliofilia e teoria da leitura.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Caixa de Música de Belanita Abreu e Ricardo Jorge

Saudade, perda, tristeza, alegria. “A descoberta de uma caixa de música leva-nos ao confronto com estados de alma que são comuns a todos os humanos”, conta Ricardo Jorge. Sentimentos distintos personificados por uma boneca bailarina. Por detrás de cada melodia que cresce e preenche o silêncio quando se abre uma caixa de madeira, o arquitecto e ilustrador conta agora a história de uma menina que descobre no sótão, dentro de um baú velho, o que parece ser um guarda-jóias antigo. “A minha ilustração conta uma estória paralela, que acrescentei à inicial, que é a da menina que descobre a caixa”, explica o artista responsável pelos desenhos do livro infantil “A Caixa de Música”, uma pequena história com texto original de Belanita Abreu.
 Exposição na Casa da Cultura em Setúbal até ao dia 30 de Abril das ilustrações originais de Ricardo Jorge, para o livro infantil "Caixa de Música".






quarta-feira, 12 de abril de 2017

A Biblioteca à Noite de Alberto Manguel


Marcador do livro Biblioteca à Noite de Alberto Manguel e editado pela Tinta de China

"Quando comparamos a biblioteca virtual com a tradicional de papel e tinta, temos de ter presentes várias coisas: que a leitura exige frequentemente lentidão, profundidade e contexto; que a nossa tecnologia electrónica ainda é frágil e que, dado que continua em desenvolvimento, nos impede frequentemente de recuperar o que foi outrora guardado em suportes actualmente ultrapassados; que folhear um livro ou percorrer estantes faz intimamente parte do oficio da leitura e não pode ser inteiramente substituo pela deslocação de texto num ecrã, tal como uma viagem não pode ser substituído por relatos de viagens e aparelhos de três dimensões".



 SINOPSE

A partir da sua mítica biblioteca pessoal, Alberto Manguel, um dos mais conceituados bibliófilos do mundo, conta-nos tudo o que sabe sobre a história, o fascínio e os enigmas das bibliotecas. Ao construir a sua biblioteca com mais de 40 mil livros num antigo presbitério em França, Alberto Manguel debateu-se com as mesmas questões de um qualquer bibliotecário caseiro: é melhor dividir por línguas? A ordem alfabética será a mais prática? Os géneros não deviam estar agrupados? 

Mesmo que não existam respostas certas, neste livro Manguel conta pelo menos as melhores histórias. Há bibliotecas públicas com secções como «Esgotos: Obras Seleccionadas», e umas privadas onde, alfabeticamente, os amigos-escritores Borges e Bioy Casares ficam lado a lado. Há bibliotecários corajosos que alteram registos de requisição para salvar livros, e livros corajosos que salvam homens torturados. Há livros perdidos, livros proibidos, livros digitais, livros que ficam numa prateleira demasiado alta e livros imaginados - mas todos eles ocupam um espaço e enchem estantes pelo mundo, tal como preenchem esta Biblioteca à Noite.



Marcador de livros da UNICEF

 Marcador de livros da UNICEF, solicitando ajuda para todas as crianças necessitadas deste planeta, através duma contribuição de todos aqueles que entregam o seu IRS, podendo doar 0,5%. Para saber mais basta ler em baixo o verso do marcadore irá contribuir para um Mundo melhor.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Homens Imprudentemente Poéticos - Valter Hugo Mãe


Dedicatória e autografo do escritor Valter Hugo Mãe, aquando da sua passagem pela livraria A das Artes em Sines.


"Escolhia palavras como se mudasse a realidade segundo o modo de dizer"

SINOPSE

Num Japão antigo o artesão Itaro e o oleiro Saburo vivem uma vizinhança inimiga que, em avanços e recuos, lhes muda as prioridades e, sobretudo, a capacidade de se manterem boa gente.
A inimizade, contudo, é coisa pequena diante da miséria comum e do destino.
Conscientes da exuberância da natureza e da falha da sorte, o homem que faz leques e o homem que faz taças medem a sensatez e, sobretudo, os modos incondicionais de amarem suas distintas mulheres.

Valter Hugo Mãe prossegue a sua poética ímpar. Uma humaníssima visão do mundo.



Uma luminosa parábola que fica a reverberar muito tempo depois.
José Tolentino Mendonça

As fascinantes personagens deste romance vivem num Japão que é ao mesmo tempo mitológico e íntimo, criado pela imaginação prodigiosa e profundamente poética do autor.
Richard Zimler

Viajei há pouco para o Japão antigo que o Valter Hugo Mãe inventou para o romance Homens Imprudentemente Poéticos e entusiasmei-me deveras. É o mais delicado dos livros do Valter, entretecido com o gesto preciso e paciente de um artesão - aquele que, na definição que está no próprio livro, devolve os materiais à vocação que eles detêm por natureza. Nele o Valter parece um menino a inventar jogos com palavras: uma criança a inventar um Japão falso pelo qual se pode passear e sentir-lhe os cheiros.

Manuel Jorge Marmelo


Ilustrações do livro e capa da autoria de Júlio Dolbeth


terça-feira, 28 de março de 2017

Elle - Cláudia Campos


Livro com o autografo da escritora datado de 1899.

 Cláudia de Campos estreou-se em termos literários com um volume de pequenos contos intitulado "Rindo...". Seguiram-se "O Último Amor", "Mulheres", "A Esfinge", "A Baronesa de Staël", "O Duque de Palmela" e o polémico "Ele" ("Elle", na grafia da altura).

A polémica de "Ele" fundamenta-se no facto de o livro tratar locais e personagens que não eram mais dos que os sítios e as pessoas com as quais a autora conviveu em Sines, ainda que lhes tenha atribuído diferentes nomes.

Presume-se que o seu personagem Luís Guedes é Francisco António de Campos, pai da autora; Cléo, é a própria escritora; Frantze é Frank Pidwell; Vasques Bruto é António Arsénio de Campos; José Paulino é João Caetano; Leonor Vasques é Isabel Pidwell; Pulquéria é a mulher de António Arsénio de Campos; Padre Mateus é o Padre Maia, assim como as Pedras Negras são o Pontal da Praia de Sines. O dr. Macedo era, segundo o historiador Arnaldo Soledade, Francisco Luís Lopes, autor de "Breve Notícia de Sines".



 A escritora Cláudia de Campos é uma das figuras mais "sui generis" de Sines.

Entre Sines e a alta sociedade lisboeta

Nascida a 28 de janeiro de 1859, filha de Maria Augusta Palma de Campos e de Francisco António de Campos, tem por padrinho de batismo seu avô, Guarda-Mor de Saúde do Porto de Sines, Jacinto José Palma.

Casa em 1875 com Joaquim D’Ornelas e Matos. Ela tem apenas 16 anos e ele 19. O Barão de S. Pedro, José Ribeiro da Cunha, é testemunha de casamento.

Em jovem frequentou o Colégio de Mrs. Kutle, na Rua do Alecrim, em Lisboa. Privou com a mais alta sociedade lisboeta da altura, frequentando a Academia de Ciências de Lisboa e os Salões Literários do Casino.

"Cláudia de Campos era uma mulher feliz, alegre e linda", afirma Maria Amália Vaz de Carvalho no seu diário.

Para além do seu lado de escritora, foi uma intelectual inovadora, ensaísta da condição da mulher.

Escreveu um "Ensaio de Psicologia Feminina", onde analisa Charlotte Brontë, Condessa de Lafayette, Baronesa de Staël, Josephine de Neuville, Rainha da Roménia. Estudou também Edward Thomas, Gibson, Masefield e outros.

Texto: http://www.sines.pt/frontoffice/pages/719
Exposição sobre a escritora no Centro de Artes de Sines patente até ao dia 02 de Abril.

sábado, 25 de março de 2017

Viagem a Itália de Johann Wolfgang Goethe


Viagem a Itália de Johann Wolfgang Goethe um livro que é a grande via de acesso e o ponto de chegada para toda a reflexão sobre arte, a história e a natureza.


 O poeta chegou à Itália em 1786 e, cerca de três meses depois, escreveu a um amigo: "Pareço a mim mesmo uma pessoa totalmente diferente. Ontem pensei comigo: 'Ou você era louco antes ou tornou-se agora' ". De coração aberto, o viajante acolhe tudo o que vê e sente: a cor e o aroma das frutas, o rosto de homens e mulheres, o burburinho das ruas, as obras da Antiguidade, a arquitectura renascentista. Em Viagem à Itália estão presentes a actualidade, a beleza e a alegria que os grandes poetas conseguem imprimir às suas obras.


Obra escrita a partir dos diários de Goethe, Viagem a Itália é, como o próprio nome indica, uma descrição da viagem que o autor empreendeu a Itália, entre 1786 e 1788, e que constituiu uma peça marcante no seu percurso estético e filosófico. "Quando, em 3 de Setembro de 1786, Goethe não regressa das termas de Karlsbad a Weimar, mas, em vez disso, parte em segredo e incógnito para Itália, está apenas a levar à prática uma decisão pessoal adiada e um imperativo cultural de que nenhum homem de letras, intelectual ou artista pode prescindir a partir de meados do século XVIII. A Itália tornara-se, para a aristocracia já desde o século XVIII, e para a burguesia culta no seguinte, no objectivo último e incontornável do grand tour europeu". A Itália, para Goethe, simbolizava o sul quente e apaixonado, por oposição a um norte frio e cauteloso, um lugar onde o passado clássico, embora devastado, se mantinha vivo numa sequência de espaços e num inventário de símbolos e de hábitos para os quais procurou significado, redescobrindo-se nas interpretações que foi criando no seu percurso.

 Gravura - Advogado com Polichinelo

O estudo sobre O Carnaval Romano foi escrito por Goethe em 1788 e publicado em Maio de 1789 (por J.F.Unger, em Berlim), acompanhado de vinte gravuras coloridas, que estão reproduzidas no final do livro. Os desenhos são de Johann Georg Schütz, e as gravuras foram executadas e coloridas por Georg Melchior Kraus e seus discípulos.

Par de mendigos e quacquero

Polichinelo cornudo, mágico e qucqueri

 Fantasma, figuras com colchas e lençóis, tabarro, Polichinelo

 Pescador e mulher de Frascati, crianças tentando apanhar guloseimas

 Par castelhano (máscaras teatrais)

 Divindades egípcias (máscara de leão e Hathor?)

 Sacerdotisas gregas

 Vestais



 Um cônsul
Johann Wolfgang von Goethe (Frankfurt am Main, 28 de Agosto de 1749 — Weimar, 22 de Março de 1832) foi um autor e estadista alemão que também fez incursões pelo campo da ciência natural. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX. Juntamente com Friedrich Schiller, foi um dos líderes do movimento literário romântico alemão Sturm und Drang.
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